Como as gerações se capacitam para o mercado de trabalho

Estão no passado distante as histórias de competências profissionais individuais repassadas de pai para filho, propiciando renda para várias gerações. Um ferreiro que dominasse o ofício e constituísse clientela no século XVII poderia transmitir as mesmas habilidades a seus filhos, netos e bisnetos, seriam suficientes para sustentar a renda familiar por décadas sem fim.

Com o final da II Grande Guerra o mundo percebeu uma aceleração no progresso tecnológico, associado com uma difusão do conhecimento para a estabilização da paz mundial. As gerações que se sucederam desde então foram inseridas em um contexto de expansão do conhecimento contínuo e crescente que as envolveu. Nenhum profissional se sente suficientemente atualizado a menos que busque permanentemente o aprendizado ao longo de sua vida.

A geração dos baby-boomers foram uma das que maior pressão por atualização de habilidades foi submetida. Um adolescente em meados dos anos 60 preparava-se para o mercado de trabalho de serviços administrativos com cursos de datilografia em máquinas mecânicas, treinava cálculo em calculadoras em que as alavancas e manivelas produziam os resultados. Já no início dos anos 70 a computação em mainframes redistribuía as funções, as máquinas dos escritórios passavam a ser eletromecânica, a velocidade na apuração dos resultados aumentava sensivelmente.

Em meados dos anos 70 o mesmo profissional já teria que evoluir para operar calculadoras eletrônicas com recursos de automação de cálculos. Além disso, os Boomers vivenciaram comunicação via TV, o ROCK&ROLL, Rolling Stones, Beatles, priorizaram a paz e foram ativistas em várias frentes. No início dos anos 80 o baby-boomer foi apresentado ao computador pessoal, ampliava-se o horizonte de sua produtividade, muito embora tal incipiente computador ainda exigisse o upload manual do sistema operacional e do programa dedicado a cada processamento. Os anos 90 demandou contínuo treinamento em sucessivas soluções de TI, com crescentes recursos computacionais alocados em máquinas cada vez mais rápidas e potentes, contudo ainda bastante isoladas umas das outras. A revolução seguinte foi a da interconexão via internet seu crescimento foi avassalador e em paralelo surgia a facilidade de acesso ao telefone celular.

Hoje esse mesmo profissional, em fase com muitos recursos que o avanço tecnológico propiciou, pode navegar por sites virtuais do mundo inteiro, comunicar-se instantaneamente por e-mail ou telefone a nível global e é bombardeado por informações quase ao mesmo tempo em que os fatos ocorrem.

A Geração X que aportou ao mercado de trabalho após os Boomers é focada em facilidades de comunicação, entendem e falam espontaneamente a linguagem tecnológica e já estão a alterar procedimentos empresariais de atrair e reter talentos. São profissionais aptos habituados as dinâmicas de evolução tecnológica aceleradas. O aprendizado a que a Geração X foi submetida carregou modelos e formatos datados do início do século passado ou anterior, enquanto que sempre que possível essa geração mergulha em realidades virtuais dos vídeos games.

Os nativos digitais da Geração Y ainda em sua infância já demonstravam intimidades com os recursos tecnológicos surpreendentes. Certamente, encontramos na Geração Y uma massa de profissionais formados que conviveram mais horas com um joystick nas mãos do que em bancos escolares. Mentalmente, essa Geração Y, assimila como normal e aceitável a convivência da realidade usual com diversas outras realidades virtuais, cada uma delas contém requerimento de: regras; comportamentos; padrões, e; habilidades nem sempre comuns. Portanto, são mentes complexas para cujo aprendizado a educação deveria ser reformatada. Certamente também demandarão revisões nos processos educacionais a eles orientados e nos critérios das empresas que pretenderem contar com suas potencialidades.

Da perspectiva de cada indivíduo, nada indica que a pressão por atualização constante de aprendizado irá arrefecer. As pessoas ao afluírem ao mercado de trabalho irão se sentir parcialmente capacitadas já em sua chegada, precisam trazer consigo competências transversais que facilitarão um aprendizado permanente ao longo da vida: devem saber aprender;

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