Quando cheguei aos 60 anos de idade percebi o quanto havia realizado, era bastante, muito mais do que eu mesmo poderia ter sonhado na partida. Mesmo sendo um irrefreável sonhador jamais antecipei ser uma das autoridades em regulação econômica do setor de energia elétrica, estar em cargos de relevância como a vice-presidência de consultoria internacional, presidência de associação nacional e diretoria de empresa multinacional.

Tamanha realização não seria nada sem ter construído uma linda e calorosa família, a qual compartilhou e dividiu comigo muitos momentos de tensão, expectativa e satisfação pelo que vivi. Quando o peso de sexagenário chegou, imaginei recolher os flaps e buscar um pouso suave, restava uma dúvida: queria mesmo parar? A paz, orgulho e satisfação de ter essa família, esposa e filhos expandida por noras e genro, muito me conforta, porém ainda tenho como contribuir.

Se havia motivações a me afastar das posições em que estive ao longo do curso dos acontecimentos não havia nenhuma a me travar em um estacionamento. Persistia o impulso de seguir o curso da vida, mas por um roteiro diferente. Qual? Como nova motivação tenho a certeza de que posso contribuir com a experiência e mudar para melhor muita coisa.

De todas as minhas funções a que mais prazer havia proporcionado era a de transmitir conhecimento. Assisti e pratiquei formas e meios de tornar a transmissão de conhecimento eficaz, sem ter tido a certeza de que nenhuma delas tinha sido a melhor alternativa. Percebi sucesso em algumas ocasiões, nas quais a pauta continha a emoção e excitação de experimentar o saber. Como ativar essa vibração? Como associar essa sensação ao processo de transacionar conhecimentos? Até que ponto o processo de comunicação de conhecimento é unidirecional, do palestrante para o ouvinte, como reestruturar isso?

Nesse momento comecei a me aproximar de uma solução interessante: Jogos interativos. A evidente excitação de estar desafiado por um game, descobrir a riqueza de suas informações, compreender a complexidade de suas regras e mecanismos, aprender novas habilidades para operar seus instrumentos e ferramentas para, persistentemente, buscar objetivos é óbvia. A vida real também tem informações ricas, regras e mecanismos complexos, instrumentos e ferramentas a exigir novas habilidades, demanda persistência para que não nos frustremos na escolha e atingimento de objetivos. Por que não associar treinamento e capacitação para vivenciar realizações com games, jogos.

Esse ovo de Colombo já estava em pé há tempos a servir de inspiração. Muitas iniciativas já estão em curso no sentido de colocar um joystick na área de ensino. Há comunidades como a Games for Change a comemorar em 2013 10 anos de existência. Países colocam Games como uma estratégia de avanço tecnológico não só em termos de produção econômica, mas como solução de aprendizado. Serious Games passou a ser um conceito vibrante e profundo a gerar soluções interativas de transmissão de informações.

Assim surgiu a Thoth Simuladores Avançados. Thoth por representar: a mítica ancestral de quem inventou a escrita, uma das mais fundamentais alavancas de transmissão de conhecimento; está associado a magia de Merlin, e; pode contribuir com seus fluídos para que o conhecimento seja objeto de processo transacional mais dinâmico. Simuladores Avançados para atenuar reações naqueles que vêem na palavra jogos exclusivamete a futilidade e em razão de todo o jogo estar suportado em um simulador.

Nessa nova carreira assumirei a posição de Game designer ou de Game Developer ou qualquer outra que permita transformar os riscos dessa iniciativa em oportunidades de sucesso. O tamanho desse sucesso vai ser proporcional às minhas habilidades em articular essas novas ferramentas nesse novo campo de trabalho, compreender suas regras para escolher e atingir objetivos. Em suma: voltei ao jogo. Estou na área.